quinta-feira, 11 de junho de 2020

Lição 9 - Cantando e Fazendo Melodia no Coração



HERMENÊUTICA DA RESTAURAÇÃO - 2TRI - 2020

SEMINÁRIO TEOLÓGICO EBNESR
Prof. Alcides Marques











Lição 9 - Cantando e Fazendo Melodia no Coração
Leitura: Efésios 5:15-21


Depois que Jesus Cristo compartilhou o pão e o cálice com Seus discípulos na última ceia, a passagem diz: “Depois de terem cantado um hino, saíram para o monte das Oliveiras (Mateus 26:30).” Eles foram em direção ao Getsêmani, onde Judas e a multidão vieram para prender o Salvador.
Muitas pessoas perguntam logo com respeito às igrejas de Cristo: “Onde está o órgão?”

O não uso de instrumentos mecânicos na adoração é opcional, tradicional, ou excêntrico… ou é bíblico?

Razões Bíblicas para Cantar sem Instrumentos Mecânicos

O Novo Testamento tem toda autoridade com relação à adoração cristã (Hebreus 8:13-10:18). Enquanto os cristãos aprendem dos princípios imutáveis do Velho Testamento, eles não seguem seus meios específicos de adoração. Incenso, danças, sacrifícios de animais, um sacerdócio separado, o Sábado, três dias santos anuais, música instrumental na adoração no Templo, tudo isto era parte da administração do Velho Testamento.

Estas coisas não são parte do Novo. Portanto, Salmo 150 e outros textos do Velho Testamento não autorizam a igreja a adorar a Deus com instrumentos.

A pessoa deve olhar para o Novo Testamento e perguntar: “Como os primeiros cristãos adoravam?”
O Novo Testamento não diz explicitamente : “Vocês não usarão instrumentos musicais.” Nem proíbe de uma maneira direta batismo por aspersão, batizar bebês, orar a Maria, ou estabelecer e honrar um Papa.
Contudo, ele implicitamente proíbe todas estas coisas ao especificar certas outras coisas. Assim, ele exclui todos os substitutos e mudanças. Esta é a “lei da exclusão.” O Novo Testamento especifica que a música da igreja deve ser a música vocal.

O “instrumento” ou “órgão” é o coração humano, dando louvor a Deus através dos lábios. O silêncio do Novo Testamento sobre instrumento é um silêncio trovejante, especialmente à luz da proeminência dos instrumentos na adoração do templo do Velho Testamento.

Instrumentos estavam disponíveis para o uso; os cristãos de um contexto judaico estavam acostumados a eles; mas a igreja primitiva não os usava.
Leia e medite sobre Efésios 5:18-21. Seguindo o mandamento de “ser cheio do Espírito,” no texto grego há muitos particípios que descrevem o que os cristãos que são cheios do Espírito fazem. Eles falam…, cantam…, fazem melodia no coração…, dão graças…, e se submetem uns aos outros. Os instrumentos mecânicos não são necessários ou expedientes em cumprir este ensinamento, nem são capazes de falar, cantar, etc. Pense também sobre Colossenses 3:15-17.
Eruditos em Música, até mesmo fora do Movimento de Restauração, reconhecem o fato de que a igreja primitiva abstinha-se do uso de tais instrumentos.
Curt Sachs da Universidade de Columbia, um dos mais eminentes estudiosos de música dos tempos modernos disse: “Toda música cristã antiga era vocal.”
Lyman Coleman, um destacado erudito presbiteriano: “Tanto os judeus no templo em seu serviço e os gregos na sua adoração a ídolos estavam acostumados com o acompanhamento de música instrumental. Os convertidos ao cristianismo deviam ser familiares com este modelo de cantar, mas é geralmente admitido que os cristãos primitivos não empregaram música instrumental em sua adoração religiosa" (The Primitive Church , pp. 370-371).”
Joseph Bingham, da Igreja Anglicana, no seu livro Antiquities of the Church , diz: “A música na igreja é tão antiga quanto os apóstolos; mas a música instrumental não é.”
Hugo Leichtentritt escreve: “Apenas cantar, contudo, e não tocar instrumentos, era permitido na igreja cristã primitiva ( Music, History and Ideas , p. 34).”
Frank Landon Humphreys escreve: “Os cristãos primitivos desencorajavam todos os sinais externos de comoção, e desde o início, a música que eles usavam, reproduzia o espírito de sua religião — uma quietude exterior. Toda música empregada nos cultos primitivos era vocal ( Evolution of Church Music ,p. 42).”
Um outro ponto digno de nota é este: o termo “ a cappela ” vem do Latim, significando ao modo da igreja.” A própria existência deste termo evidencia o fato de que cantar “à maneira da igreja” é cantar sem acompanhamento instrumental.
No passado, alguns que defenderam o uso de instrumentos tentaram reivindicar autoridade bíblica no uso do termo grego psallo (salmo) em Efésios 5:19. Eles diziam que o termo significava “tanger, dedilhar” um instrumento de cordas. Contudo, estudos linguísticos concluíram que este termo, como usado no primeiro século, nunca trazia este significado e assim, nunca implicaram música instrumental.
É claro, se psallo significasse tanger, dedilhar, haveria dois resultados: várias traduções iriam trazer “tanger, dedilhar”, mas é claro que nenhuma das traduções traz assim. O outro resultado seria que tal significado faria o uso de instrumentos musicais imperativo, não somente opcional.


Razões Históricas para Cantar sem Instrumentos Mecânicos


Estes fatos indiscutíveis são evidentes a partir de um estudo da história da igreja. Primeiro, as igrejas não usaram instrumentos musicais na adoração por 600 anos depois de Cristo. Segundo, grupos protestantes não os usavam até 200 anos atrás. Terceiro, muitos líderes religiosos falaram contra o uso deles. Veja:
Clemente de Alexandria (150-210 AD): “O único instrumento de paz, apenas a palavra pela qual nós honramos a Deus, é o que nós empregamos. Nós não mais empregamos o antigo saltério e trombeta, e adufe, e flauta.” Como citado em Restoration Quarterly , Vol. I, No. 1, 1957, p. 3
Orígenes (325 AD): “Pois a uníssona música do povo de Cristo é mais agradável a Deus do que qualquer instrumento musical. Desse modo, em todas as igrejas de Deus, com uma só mente e coração, com unidade e concordância em fé e adoração, nós oferecemos a Deus a melodia uníssona em nosso cantar dos Salmos.” Citado em Restoration Quarterly , p. 4
João Crisóstomo (345-407 AD): “Não há necessidade de lira ali, nem cordas esticadas, nem plectro, nem de habilidade musical, nem de qualquer instrumento. Mas se você decidir, você fará de si mesmo a lira, matando os membros da carne, e fazendo grande harmonia do corpo com a alma.” “Mas eu diria isso, que nos tempos antigos eles eram desse modo levados por estes instrumentos por causa da lentidão de seu entendimento e sua recente libertação dos ídolos. Da mesma forma como Deus permitiu sacrifícios de animais, assim Ele também lhes permitiu ter estes instrumentos, condescendendo para ajudar em sua fraqueza.” Citado em Restoration Quarterly , p. 45

Agostinho (c. 400 AD): “Não tem sido uma regra estabelecida em nome de Cristo com referência a estas vossas vigílias de festas religiosas importantes, que harpas ( citharae , isto é, liras) devem ser excluídas deste lugar?”
Jerônimo (c. 400 AD): “Um cristão não deve saber o que é uma lira ou flauta, nem qual é o seu uso.” Citado em p. 144 in Instrumental Music in Worship , por M.C. Kurfees.
Tomás de Aquino, um importante erudito católico de sua época (1250 AD): “Nossa igreja não usa instrumentos musicais, como harpas e saltérios, para louvar a Deus, para não parecer que judaizou-se.” Citado em McClintock and Strong’s Encyclopedia , Vol. VII, p. 739
João Calvino, fundador da Igreja Presbiteriana: “Instrumentos musicais em celebrar o louvor a Deus não seriam mais apropriados do que o queimar de incenso, o acender de lâmpadas, a restauração de outras sombras da lei. Os papistas, portanto, têm insensatamente tomado isto, como também muitas outras coisas de empréstimo dos judeus.” John Calvin’s Commentary , Salmo trinta e três.
João Wesley, considerado o fundador da Igreja Metodista: “Eu não tenho objeção a instrumentos musicais em nossos serviços religiosos, contanto que eles não sejam nem ouvidos, nem vistos.” Citado em Clarke’s Commentary , Vol IV, p. 686
Adam Clarke, o maior comentarista de todos os tempos entre os metodistas: “Música enquanto ciência, eu estimo e admiro; mas instrumentos de música na casa de Deus eu abomino e detesto. Isto é o abuso, é o abuso da música; e aqui eu registro meu protesto contra todas estas corrupções na adoração do Autor do Cristianismo.” Clarke’s Commentary, Vol. IV, p. 686.
Martinho Lutero chamava o órgão “uma insígnia de Baal”. McClintock & Strong’s Encyclopedia of Music , Vol. VII, p. 762
Charles H. Spurgeon, um pregador batista muito influente em Londres anos atrás disse: “Israel foi uma escola, e usou coisas infantis para lhe ajudar a aprender, mas nestes dias, quando Jesus nos dá o alimento espiritual, a pessoa pode fazer melodia sem cordas e instrumentos de sopro…Nós não precisamos deles. Eles iriam atrapalhar, em vez de ajudar o nosso louvor. Cantar para Ele. Esta é mais doce e melhor música. Nenhum instrumento como a voz humana… Nós podemos orar tão bem através dessa maquinaria quanto louvar através dela.”
Assim, o ônus da prova não está sobre as igrejas de Cristo, como se elas tivessem que provar porque não usam instrumentos. Elas não precisam se sentir defensivas. O ônus da prova está sobre aqueles que desejam introduzir e defender os instrumentos, sem garantia bíblica ou precedente histórico.


Razões Práticas para Cantar sem Instrumentos Mecânicos


A introdução de instrumentos, sem autorização bíblica tem criado divisão. Fazendo sem eles pode promover unidade, desde que todos concordam que o cântico vocal é bíblico por si mesmo.
O instrumento pode tender a levar a reunião da igreja de edificação a entretenimento…de culto de adoração à performance de concerto…de participação à passividade…de acompanhamento a solos instrumentais… de congregação a coro… do espiritual ao mecânico… do interior ao exterior… de um órgão a bandas de rock.



EXERCÍCIO!





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