quinta-feira, 11 de junho de 2020

Lição 8 - A Ceia do Senhor


HERMENÊUTICA DA RESTAURAÇÃO - 2TRI - 2020

SEMINÁRIO TEOLÓGICO EBNESR
Prof. Alcides Marques











Lição 8 - A Ceia do Senhor
Leitura: 1 Coríntios 11:17-34


Na noite anterior à Sua morte, Jesus tomou o pão sem fermento e o fruto da videira, elementos da Páscoa judaica, e Ele disse: “Tomem e comam, isto é o meu corpo…Isto é o meu sangue da aliança, que é derramado em favor de muitos, para perdão dos pecados.” Mateus 26:26-30.
Na Ceia do Senhor, como no batismo, forma e função vão juntos. Como o batismo é para ser uma imersão, a fim de refletir a morte, sepultamento, e ressurreição de Cristo (Romanos 6:1-4), a Ceia do Senhor é para ser observada de acordo com a maneira e hora ensinados no Novo Testamento, porque sua função é tão vital. Ela comemora e proclama a morte de Cristo. Ela traz os cristãos de volta à cruz.
Chama à auto-examinação e arrependimento. Ela reacende a chama de devoção e amor da pessoa pelo Salvador. Ela renova a apreciação pelo Seu gracioso sacrifício e a liberdade do perdão que resulta.

O Apelo da Restauração busca restaurar tanto os aspectos exteriores como interiores da Ceia do Senhor, não elevar um e ignorar o outro.
Alguém escreveu a seguinte composição, intitulada, “Quando Venho à Mesa do Senhor:”
 Eu venho, não porque sou digno; não por nenhuma justiça de minha parte, pois tenho pecado e faltado com o que, pela ajuda de Deus, eu poderia ter sido. Todavia, o Cordeiro é digno, e Seu sacrifício me tem feito aceitável.
 Eu venho, não que haja qualquer mágica em partilhar dos símbolos do corpo e sangue de Cristo. Todavia, o pão e cálice me fazem lembrar de um evento verdadeiramente sobrenatural, quando o Cristo ofereceu a si mesmo como minha expiação.
 Eu venho porque Cristo me chama a vir. É a mesa dEle, e Ele me convida. Ele é o gracioso anfitrião, e eu, Seu convidado cheio de gratidão.
✔  Eu venho, porque é um memorial a Ele — é feito em memória dEle.
✔  Quando eu lembro dEle — Sua vida, sofrimentos, morte, sepultamento, e ressurreição, encontro-me humilhando todo o meu ser em Sua presença, prostrando-me perante Ele em adoração.
✔  Eu venho, porque aqui é representada a abnegação cristã, e sou ensinado convincentemente as virtudes do sacrifício em favor do outro, um sacrifício que contém a salvação.
✔  Eu venho, porque aqui tenho a oportunidade de reconhecer minha indignidade e para fazer um novo começo.
✔  Eu venho, porque aqui encontro consolo e paz.
✔  Eu venho, porque me levanto deste lugar com nova força, coragem e poder, para viver para Ele que morreu por mim.
Edward C. Wharton nota a novidade da Ceia do Senhor. Primeiro, é observada num novo reino sob uma nova aliança (Mateus 26:28-29; Marcos 14:25). Derramando Seu sangue, Jesus revogou a Velha Aliança e inaugurou a Nova. Segundo, ela comemora uma nova libertação . Jesus é a Páscoa do cristão (1 Coríntios 5:7) que o tirou do cativeiro.

Assim, é uma ocasião para celebração e alegria. Terceiro, é observada num novo dia . A ressurreição de Cristo num Domingo é a confirmação de sua vitória sobre a morte no dia de Sua ressurreição.” A confiança do cristão que Jesus ressuscitou o inspira a declarar o poder salvador de Sua morte tomando a Ceia do Senhor. Wharton também escreve:
✔  É uma comunhão (1 Coríntios 10:15-22) uma participação, um ter em comum, um compartilhar. O filho de Deus compartilha desta união com Cristo e usufrui das bênçãos de Sua morte; ele também tem comunhão com seus irmãos. Vindo à mesa de Cristo, ele, de modo oposto, rejeita a mesa do mundo, do mal e da descrença. As Escrituras dizem: “Vocês não podem beber do cálice do Senhor e do cálice dos demônios (1 Coríntios 10:21).” Eles são mutuamente exclusivos.
✔  É uma comemoração (1 Coríntios 11:26-33) ou um memorial. Embora os cristãos constantemente pensem sobre a cruz e seu poder, Jesus especificamente disse: “Façam isto em memória de mim.”
✔  É uma proclamação (1 Coríntios 11:26), um anunciar silencioso a Cristo, uns aos outros, e ao mundo que Cristo morreu pelos pecados uma vez por todas, suficiente e completamente removendo o fardo do pecado.
✔  É uma auto-examinação (1 Coríntios 11:28-32). Isto é, chama a pessoa a examinar atentamente sua própria fé, a confessar os seus pecados, e se recomprometer ao serviço fiel. “Discernir o corpo” pode se referir a lembrar-se com gratidão o corpo de Cristo na cruz, e/ou pode se referir a cada discípulo lembrando-se sobre a igreja (o corpo de Cristo) e avaliando o seu papel nela.

No Primeiro Dia de Cada Semana

Enquanto alguns grupos religiosos observam a Ceia do Senhor mensal, trimestral, ou anualmente, o Novo Testamento indica claramente por implicação e exemplo que era observada a cada Domingo.
Primeiro, é evidente que a instrução de Paulo sobre este assunto foi dada por todos os apóstolos a todas as igrejas (1 Coríntios 4:17; 7:17; 14:37; 2 Tessalonicenses 2:15). Segundo, ele orientou a igreja em Corinto como um todo a se reunir regularmente para a adoração (1 Coríntios 11-14).

Ele também ensinou que a observância da Ceia do Senhor era para ser o foco central da reunião da igreja (1 Coríntios 11:17-34).
Com que freqüência estes cristãos se reuniam?

A resposta encontra-se em 1 Cor. 16:1-2. “Quanto à coleta para o povo de Deus, façam como ordenei às igrejas da Galácia. No primeiro dia da semana , cada um de vocês separe uma quantia, de acordo com a sua renda, reservando-a para que não seja preciso fazer coletas quando eu chegar.”

Paulo pediu às igrejas para trazerem suas ofertas a cada semana, no primeiro dia, antes que ele chegasse. A implicação é que a igreja já estava se reunindo como um todo a cada Domingo e que isto iria, portanto, proporcionar uma maneira conveniente para os crentes darem dinheiro para ajudar os irmãos atingidos pela fome na Judeia.
Há também o claro exemplo apostólico encontrado em Atos 20:6-7.

6 Navegamos de Filipos, após a festa dos pães sem fermento, e cinco dias depois nos reunimos com os outros em Trôade, onde ficamos sete dias. 7 No primeiro dia da semana reunimo-nos para partir o pão, e Paulo falou ao povo. Pretendendo partir no dia seguinte, continuou falando até à meia-noite.”

Lucas, por inspiração, especifica que, depois de esperar durante sete dias, “nos reunimos” no primeiro dia da semana. O propósito declarado é “partir o pão.” Esta frase é usada em Mateus 26:26 para se referir a Jesus instituindo a Ceia do Senhor. “Enquanto estavam comendo, Jesus tomou o pão, deu graças, partiu-o , e deu aos seus discípulos, dizendo: ‘Tomem e comam; isto é o meu corpo.’”
Alguém pode dizer: “Mas não há mandamento direto para observar a Ceia do Senhor toda semana.”

Ao mesmo tempo em que isto é verdade, não há mandamento para pregar, cantar, ou orar no primeiro dia de cada semana!

É por implicação que virtualmente todos os grupos denominacionais têm reconhecido que há autoridade bíblica para estas outras práticas. Além disso, não há a menor pista no Novo Testamento de que a igreja observava mensal, trimestral ou anualmente.
Registros da história da igreja, embora não inspirados, ajudam a ilustrar como os cristãos nos primeiros séculos entendiam e cumpriam o mandamento do Senhor.

Everett Ferguson resume estes registros em parte dizendo: “A Ceia do Senhor era uma parte constante do culto dominical. Não há evidência do Segundo século de [observá-la diariamente] ( Early Christians Speak , p. 96).”

Em outras palavras, os cristãos primitivos não observavam a Ceia do Senhor numa Terça à noite, num Sábado de manhã, ou num casamento. Sua significância estava ligada à assembleia no primeiro dia da semana.


Pão sem Fermento e o Fruto da Videira

Pelo fato de Jesus ter utilizado os elementos da Páscoa para instituir a Ceia do Senhor (Mateus 26), é claro que Ele autorizou pão sem fermento (ou lêvedo) e o fruto da videira como os elementos apropriados.

Paulo escreve em 1 Coríntios 5 que Cristo foi oferecido como o nosso cordeiro pascoal e que os cristãos devem a celebrar “… a festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da perversidade, mas com os pães sem fermento da sinceridade e da verdade. (1 Coríntios 5:8)” Interessantemente, todas as denominações católicas e protestantes consideram o silêncio da Bíblia quanto a outros elementos como proibitivos . Isto é, eles não buscam acrescentar itens além do pão e do cálice.


Separada de Uma Refeição de Comunhão

As palavras de Paulo em 1 Coríntios 11 distinguem a Ceia do Senhor de uma refeição comum. Ferguson nota que há também clara evidência do Segundo século desta distinção (p. 99). Enquanto a refeição de comunhão pode servir a muitos propósitos, o propósito da Ceia do Senhor é muito específico e limitado.


Uma Metáfora: “Isto é o Meu Corpo… Meu Sangue”

Alguns têm insistido que Jesus milagrosamente muda o pão e o suco de modo que eles literalmente se tornam Sua carne e Seu sangue. Eles chamam esta ideia de “transubstanciação,” o que significa uma mudança de substância.

Contudo, não há evidência de que a igreja primitiva entendia as palavras de Jesus desta forma. Em vez disso, Ele usou uma metáfora ou comparação, como Ele fez em outras partes “Eu sou a porta.”


Exercício!






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