sábado, 23 de maio de 2020

Lição 6 - Base, Meios, e Fruto da Salvação



HERMENÊUTICA DA RESTAURAÇÃO - 2TRI - 2020

SEMINÁRIO TEOLÓGICO EBNESR
Prof. Alcides Marques











Lição 6 - Base, Meios, e Fruto da Salvação
Leitura: Tito 3:3-8

Quando João viu Jesus Cristo vindo em direção a ele, ele disse: “Vejam! É o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo (João 1:29)!”




Séculos antes desta época, Deus havia graciosamente salvo os hebreus no Egito que abateram cordeiros e colocaram o sangue nas ombreiras de suas portas. Quando o Senhor

viu o sangue, Ele “passou por sobre” os judeus e poupou os seus primogênitos (Êxodo 12:12-13).

Os judeus deveriam observar a Páscoa anualmente, oferecendo seus sacrifícios e na expectativa para o “Cordeiro de Deus” definitivo, o Messias que iria oferecer a si mesmo na cruz como expiação. João identificou Jesus como o Cordeiro, o qual todos os cordeiros pascoais prefiguravam e antecipavam. Por causa do sangue de Cristo, Deus hoje em dia passa por sobre os pecadores culpados que merecem morrer.

Este é o coração do plano da salvação.

É o plano de Deus, não do homem.

É enraizado na misericórdia de Deus, não no mérito humano.

É o resultado do poder de Deus, não da perfeição humana.

Brota da graça de Deus, não da bondade do homem.

O sangue de Cristo comprou a liberdade do pecado e suas conseqüências. Este sangue, e apenas este sangue, é suficiente. A pessoa pode ser segura de sua salvação e ter sua consciência limpa porque ele sabe que o sangue o cobre. Toda a ênfase, todo o crédito, e toda a glória pertencem a Jesus Cristo.

Seu sacrifício pelo pecado é a única base sobre a qual a pessoa pode ficar perante o santo Deus e não ser consumido. Não nos enganemos: Deus opera a salvação. Somente Ele provê o Cordeiro. Apenas Ele carrega o peso do pecado e paga a sua penalidade.


Um passo adiante na analogia: embora os hebreus no Egito não pudessem alcançar sua libertação por força própria, era-lhes exigido que recebessem a libertação divina pela fé. Era-lhes ordenado que expressassem a sua fé como Deus os instruíra, ou, de outra forma, perecerem com os egípcios. Matar o cordeiro e colocar o seu sangue sobre a porta não era um ato meritório que obtinha a salvação, mas uma extensão obediente da fé na graça de Deus, que livrou os hebreus da morte.

Dizem as Escrituras: “Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie. Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou para que nós as praticássemos (Efésios 2:8-10).”
Em outras palavras, a graça de Deus (encontrada na cruz de Cristo) é o fundamento ou base da salvação. A fé é o meio ou avenida através da qual a pessoa recebe a salvação. As boas obras são o fruto ou conseqüências que resultam da salvação. A pessoa não é salva na base de suas obras de merecimento. Em vez disso, a pessoa trabalha porque é salva pela graça de Deus por meio de sua fé.
Imagine uma árvore, que tem raízes, tronco, galhos e frutos. As raízes representam a base da salvação, a cruz de Cristo. O tronco e os galhos representam a fé que está baseada na cruz e recebe a sua vida da cruz. Os frutos representam a vida piedosa, cristã que resulta da conexão do tronco e galhos com a raiz.
Jesus usou o mesmo tipo de analogia em João 15:1-8. Ali Ele disse que era a videira, que Seus seguidores eram os galhos, e que o fruto era a inquestionável evidência de que o galho estava ligado à videira.




A cura de Jesus do cego de nascença, registrada em João 9:1-2, ilustra claramente e mantém em perspectiva estes três conceitos: base, meio e fruto. Leia o texto e note-os. Primeiro, qual era a base da cura? O homem recebeu sua visão pela graça de Deus, não por seu mérito próprio. Segundo qual foi o meio? Ele recebeu sua visão pela fé, a qual ele expressou (como ordenado) lavando-se no tanque de Siloé. Terceiro, qual foi o fruto? Ele voltou vendo, e ele disse aos outros o que o Senhor havia feito por ele.


Ninguém poderia afirmar efetivamente que o homem foi curado por causa de suas boas obras. Não, as boas obras seguiram-se à sua cura.

Nem ninguém poderia dizer que ele se fez merecedor, ou realizou sua cura lavando-se no tanque de Siloé.

Aquela lavagem era simplesmente uma expressão de fé na promessa de Jesus. Foi por meio da fé, posta em ação em sua lavagem no tanque, que o homem cego de nascença recebeu o gracioso dom da cura.

Se o homem tivesse recusado a se lavar, ele teria mostrado que não tinha fé na oferta de Jesus, e teria permanecido cego. Da mesma maneira, um hebreu que não colocasse sangue sobre sua porta iria, desse modo, mostrar sua falta de fé na promessa e advertência de Deus, e seu primogênito teria perecido.
Imagine que um rico doador queira dar um cheque de trinta milhões de reais a um prisioneiro atolado em dívidas.



Isto se chama graça, paralela ao desejo de Deus de dar a cada pessoa a vida eterna ao custo da vida de Seu Filho.

Contudo, o prisioneiro tem que confiar no doador e mostrar a sua fé endossando o cheque e depositando-o no banco. Isto se chama fé, paralela à resposta do homem ao evangelho.

Depois de sua soltura, o ex-prisioneiro passa sua vida em gratidão, comprometendo-se a honrar o doador e a se tornar exatamente como ele em sua atitude, palavras e ações. Isto se chama fruto, paralelo às boas obras da pessoa que resultam de ser salva pela fé.

O dom é pela graça. A pessoa não o ganha endossando ou depositando o cheque. Por outro lado, a menos e até que faça isso, ela permanece perdida em sua dívida.
O dom da graça não é dele.

Podemos ver estes conceitos em Efésios 2:8-10 e em outras passagens. Note Tito 3:3-8.

1. Base: “… ele nos salvou, não por causa de atos de justiça por nós praticados, mas devido à sua misericórdia.”
2. Meios: “Ele nos salvou pelo lavar regenerador e renovador do Espírito Santo…” Isto é uma referência ao batismo, o novo nascimento da água e do Espírito. Veja João 3:3-5.
3. Fruto: “… afirme categoricamente estas coisas, para que os que crêem em Deus se empenhem na prática das boas obras.”

Como tudo isto se relaciona ao Apelo da Restauração? Primeiro considere dois extremos que se desenvolveram no tocante à salvação.

A seguir note os conceitos do Novo Testamento que a igreja busca restaurar.
Enquanto a Igreja Católica evoluía, também evoluía um sistema de salvação que era baseado em obras humanas de mérito. Se a pessoa observasse os “sete sacramentos,” fizesse todas as rezas e realizasse suficientes atos de justiça, era prometido a esta pessoa a vida eterna como resultado.

A pessoa podia cumprir atos de penitência por pecados específicos. Se uma pessoa que não fosse “justa o bastante” para o céu morresse, mas fosse “justa demais” para o inferno, ela entrava no Purgatório. Lá, ele ou ela iria sofrer tempo suficiente para pagar o débito restante por seus pecados e, a seguir, seria promovida aos céus.

Durante a Idade Média, a Igreja Católica prometia a seus membros que, se eles contribuíssem com mais dinheiro, encurtariam o período de tempo que seus ancestrais (que naquela época estivessem no purgatório) iriam ter que sofrer nas chamas. As pessoas compravam “indulgências,” primeiro para mostrar arrependimento por seus pecados, e depois como se elas pudessem comprar uma autorização para pecar.
Em outras palavras, este sistema confundia raiz e fruto. Fazia as boas obras serem a base, não a conseqüência, da vida eterna. Este sistema levava as pessoas a crer que se elas fossem boas o bastante, poderiam ganhar a vida eterna. Se elas pecassem, poderiam compensar o pecado por atos de justiça pessoal. Elas reconheciam a cruz e o sofrimento de Cristo, mas deixavam a impressão que a pessoa, no final das contas, salvava-se por seus próprios feitos.
Estes atos e sacramentos eram considerados possuidores de mérito, até mesmo se a pessoa não os observasse como atos de fé pessoal. Por exemplo, o sacramento do batismo era administrado a bebês que não possuíam fé, porque o próprio ato era considerado eficaz.

Contra este pano de fundo, e como uma reação a ele, alguns dos reformadores protestantes do século dezesseis foram para o outro extremo. Rejeitando a idéia católica de salvação pelas obras baseada na habilidade humana, eles praticamente removeram todo o elemento humano da salvação! João Calvino assumiu a direção, declarando que o homem era totalmente depravado e incapaz de ter fé à parte de um ato direto de Deus. Ele anunciava que Deus havia incondicionalmente escolhido e predeterminado cada pessoa que seria salva. Ele ensinava que a graça de Deus agiria irresistivelmente sobre o coração dessa pessoa e produziria fé. Ele também dizia que Deus iria controlar a contínua fé e perseverança na vida cristã, assim esta pessoa jamais poderia cair e ser perdida.
Enquanto o sistema católico colocou o fruto da árvore onde a raiz deveria estar, o sistema calvinista removeu o tronco da árvore. Enfatizando a soberania de Deus, negava a responsabilidade humana.
Afirmava que Cristo não morreu de modo que o mundo todo pudesse ser salvo, mas que Ele apenas morreu pelos poucos pré-selecionados, que Deus irresistivelmente puxaria do início ao fim. Como um resultado do calvinismo, muitas pessoas acreditam ainda hoje que :

[1] a pessoa não tem que ser batizada ou “fazer qualquer coisa” para receber a salvação,

[2] a pessoa “nasce novamente” quando ela experimenta o trabalho de Deus dentro de seu coração, e

[3] uma vez que a pessoa é salva, ela nunca pode ser perdida.

Calvino

O Novo Testamento reconhece a graça de Deus como a base da salvação e a fé como o meio de receber a salvação.

Considera o homem , não Deus, responsável pela fé ou falta de fé (João 8:24).

Diz que a pessoa deve expressar sua fé em Cristo por confessá-lO perante os homens (1 Timóteo 6:12), arrependendo-se de seus pecados (Lucas 24:47), e sendo imergido (batizado) em Sua morte e ressurreição (Atos 2:38; Romanos 6:3-4).

Apresenta as boas obras, não como a base da salvação, mas como seu fruto inevitável e essencial. Afirma que aquele que abandona sua fé cai da graça de Deus e enfrenta Seu julgamento eterno (Hebreus 10:26-31).




Exercício:


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