sábado, 23 de maio de 2020

Lição 5 - O Velho e o Novo Testamento


HERMENÊUTICA DA RESTAURAÇÃO - 2TRI - 2020

SEMINÁRIO TEOLÓGICO EBNESR
Prof. Alcides Marques











Lição 5 - O Velho e o Novo Testamento
Leitura: Leitura: Hebreus 8:1-13


Jesus Cristo disse: “A Lei e os profetas foram proclamados até João.

Desde aquela época, as boas novas do reino estão sendo pregadas…(Lucas 16:16).” Ele traçou uma linha divisória entre a época em que a Velha Aliança estava em vigor e a época que João Batista começou preparando o povo para o evangelho e o reino.

Jesus ensinou que, diferentemente da Lei de Moisés, Sua Nova Aliança não restringiria a adoração a Jerusalém ou nenhum outro lugar específico (João 4:19-26).

Ele declarou todos os alimentos “puros,” até mesmo os considerados “impuros” sob a Lei Judaica (Marcos 7:19; veja Levítico 11).

Jesus afirmou cumprir a Velha Aliança por meio de Sua vinda, Seu ministério, Sua morte, e Sua ressurreição (Lucas 24:25-27, 44-49).

Ele ofereceu uma Nova Aliança, inaugurada e firmada por meio do derramamento de Seu sangue (Lucas 22:20).

Ele enviou discípulos, não para proclamarem a lei de Moisés para o mundo todo, mas para pregarem o evangelho. Os discípulos disseram ao povo de todas as nações que Cristo havia cumprido a Lei e os Profetas, e que Ele havia trazido o evangelho para ocupar-lhes o lugar, para todas as pessoas e para todas as épocas (Atos 13:13-52).
Intimamente relacionado à questão de autoridade bíblica está a questão:

“De que maneira, se é que tem, o Velho Testamento tem autoridade na igreja e na vida cristã hoje em dia?”

Mais especificamente, a pessoa pode perguntar:

“Deve a igreja observar o sétimo dia da semana como o Sábado?

Deve a igreja ter um sacerdócio separado de homens, com roupas e títulos especiais?

Deve a igreja incluir incenso, sinos, e trombetas ou outros instrumentos musicais na sua adoração?

A circuncisão do Velho Testamento autoriza a igreja a ‘batizar’ crianças por aspersão?”

Há denominações que praticam algumas destas coisas hoje em dia, e elas reivindicam autoridade bíblica (do Velho Testamento).

Se a pessoa não pratica estas coisas, ela está negando a autoridade bíblica?

Se o Velho Testamento não autoriza estas coisas, então surge a pergunta:

“Que papel o Velho Testamento desempenha hoje em dia?”

O ponto desta lição é este:

Os princípios gerais e moralidade do Velho Testamento continuam a ensinar a igreja, mas a igreja não deve continuar suas práticas religiosas.
Quando o presidente do Brasil encerra seu mandato, e um outro assume o seu lugar, esta nação passa a estar sob uma nova administração. Os básicos provavelmente não mudam, mas as maneiras específicas de implementar os básicos é que mudam.

Assim, é com o Velho Testamento e o Novo Testamento. Os básicos permanecem: a natureza de Deus, a pecaminosidade do homem, a necessidade de graça, a necessidade de sacrifício, a reverência e a alegria da adoração, a importância da fé e obediência, a promessa de julgamento, etc. Contudo, as maneiras específicas nas quais estes elementos são expressos mudaram.

A igreja está sob a administração do Novo Testamento. A igreja é a comunidade do Novo Testamento que não existia durante a era do Velho Testamento. Contudo, a igreja pode e ainda deve aprender, e ser guiada pelos princípios e verdades gerais do Velho Testamento.
Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça (2 Timóteo 3:16-17). O Antigo Testamento era a única “Bíblia” que os primeiros cristãos possuíam, e eles a usavam e aprendiam dela extensivamente.

Como notado na lição anterior, o registro do Velho Testamento fornece exemplos tanto para encorajar como para advertir os cristãos hoje em dia.

Paulo, em 1 Coríntios 10:1-14, utilizou o fracasso de Israel em entrar na Terra Prometida, para ensinar a igreja a não ansiar por coisas más, não praticar a idolatria, não ser sexualmente imoral, a não murmurar, e a não testar a Deus.

Assim como a natureza de Deus não muda, assim também é o Seu padrão moral.

Idolatria, adultério, e desobediência são tão erradas hoje em dia como eram então, e neste sentido, o Velho Testamento ainda fala.

Os mandamentos morais ainda se aplicam, e eles expressam o imutável mandamento de amar o seu próximo como a si mesmo (Romanos 13:8-10).

Positivamente, Hebreus 11 exorta o cristão a perseverar fazendo menção à fé possuída por Abel, Noé, Abraão, e muitos outros. Cada um desses, pela fé, fez o que Deus lhe ordenou no momento, e receberam a bênção dEle.

O mesmo é verdade para cada seguidor de Cristo hoje em dia.

Assim a igreja não deve ignorar o Velho Testamento, ou minimizar sua importância, pois é a vital fundação sobre a qual o Novo Testamento se apóia.

O Velho Testamento promete e prepara para o que o Novo Testamento proporciona e cumpre. A igreja, embora seja uma entidade do Novo Testamento, acredita, ama, e trata com carinho o Velho Testamento.
Todavia, ao mesmo tempo em que os cristãos são exortados a imitar a fé dos personagens do Velho Testamento, os cristãos não são ordenados a fazer o que eles fizeram.

Noé construiu uma arca.

Abraão viajou para um destino desconhecido. Ele ofereceu seu filho em sacrifício.

Os pais de Moisés esconderam seu filho.

Os israelitas guardavam a Páscoa, atravessaram o Mar Vermelho, e circundaram as muralhas de Jericó.
Utilizando exemplos específicos do Velho Testamento, o livro de Hebreus chama os cristãos a:
 Prestar maior atenção – Hebreus 2:1-4
 Não endurecer os seus corações – Hebreus 3:12-13.
 Crer e obedecer – Hebreus 3:18-19
 Temer porque eles podem perder o descanso prometido – Hebreus 4:1.
 Imitar aqueles que pela fé e paciência herdaram as promessas de Deus – Hebreus 6:12.  Confiar nas promessas de Deus – Hebreus 6:13-20
 Prestar atenção às palavras de Cristo – Hebreus 10:26-31.
 Respeitar o sangue que santifica – Hebreus 10:26-31
 Viver pela fé – Hebreus 11.  Aceitar a disciplina de Deus – Hebreus 12:3-11
 Não recusar Aquele que fala – Hebreus 12:18-29

Ao mesmo tempo, o livro de Hebreus NUNCA diz à igreja para observar os sacrifícios, rituais, leis alimentares, dias de Sábado, ou outros requerimentos específicos do Velho Testamento.

Em vez disso, diz:

Quando há uma mudança de sacerdócio, deve haver também uma mudança de lei. Hebreus 7:12.

Quando Deus prometeu uma Nova Aliança, Ele tornou a Velha Aliança “obsoleta.” O que é obsoleto e velho está prestes a desaparecer (Hebreus 8:13).

De maneira similar, quando uma pessoa diz: “Eu preciso de uma casa nova,” ele declara que sua casa velha já ultrapassou sua utilidade e deve ser substituída.

O tabernáculo era uma cópia temporária do verdadeiro santuário no céu. Hebreus 9:11
Desde que Cristo entrou no verdadeiro santuário, a cópia não é mais necessária.

A Lei era apenas uma sombra, não a realidade (Hebreus 10:1).

Agora que a realidade está aqui, ninguém deve retornar à sombra praticando a Lei do Velho Testamento. Sacrifícios do Velho Testamento não podiam tirar o pecado. Hebreus 10:1-4, porque o sacrifício de Cristo foi o que, de fato, tirou o pecado, não há mais necessidade (ou autoridade) para a oferta de animais.

Estes sacrifícios apontavam para Cristo e terminaram com a Sua morte. Hebreus 10:11-14.

Cristo é o sumo sacerdote novo, final e permanente. Hebreus 4:14-16; 5:1-8; 7:11-28 Como um resultado, a igreja não tem nenhum outro sumo sacerdote, como exigia o Velho Testamento.
Em outros lugares o Novo Testamento indica que o Velho Testamento foi dado para um povo específico (não o mundo todo) por um tempo limitado (até o seu cumprimento em Cristo).
Em Atos 15, alguns convertidos fariseus queriam exigir que os gentios fossem circuncidados e obedecessem à lei de Moisés (Atos 15:5). Se os ensinamentos específicos do Velho Testamento tivessem a intenção de serem universais e permanentes, os apóstolos e os presbíteros teriam concordado.
Todavia, eles claramente recusaram este argumento. Em vez disso, referindo-se à lei do Velho Testamento: “Então, por que agora vocês estão querendo tentar a Deus, pondo sobre os discípulos um jugo que nem nós nem nossos antepassados conseguimos suportar (Atos 15:10)?”
No livro de Gálatas, Paulo por inspiração tratou desta controvérsia. Ele falou sobre estes judaizantes (aqueles que exigiam que os cristãos gentios observassem as práticas do Velho Testamento) como aqueles que estavam “tentando perverter o evangelho de Cristo (Gálatas 1:6-9).”

Ele disse: “Por meio da Lei eu morri para a Lei, a fim de viver para Deus (Gálatas 2:19).”

Ele escreveu: “Já os que se apoiam na prática da lei estão debaixo de maldição (Gálatas 3:10),” porque a lei exigia obediência 100% perfeita e não oferecia um Salvador.

Ele disse que a lei foi dada para uma nação específica (Israel) (não os gentios) e que ela serviu a um propósito temporário (mostrar aos judeus sua necessidade de Cristo).

Ele escreveu: “Assim, a Lei foi o nosso tutor até Cristo, para que fôssemos justificados pela fé. Agora, porém, tendo chegado a fé, já não estamos mais sob o controle do tutor. (Gálatas 3:24-25).”

Ele disse que ambos, judeus e gentios são “filhos de Abraão,” não sendo circuncidados ou guardando a lei de Moisés, mas pela fé e batismo em Jesus Cristo (Gálatas 3:26-29).

Ele desejou para os judaizantes uma pena muito severa por exigirem que os gentios seguissem a lei (Gálatas 5:12).
Paulo fez um ponto similar em Romanos 7:1-4, dizendo que a lei não tem autoridade sobre alguém que morreu, e que o cristão “morreu” para a lei e tornou-se casado com Cristo.

Ele contrastou o Velho Testamento (tábuas de pedra, morte, glória desvanecente) com o Novo Testamento (tábuas de corações humanos, o Espírito, a glória permanente) em 2 Coríntios 3:1-18. Cristo “aboliu em Sua carnea lei dos mandamentos pela cruz (Efésios 2:15-16).”

Cristo removeu a “escrita de dívida, que consistia de ordenanças… pregando-a na cruz (Colossenses 2:14).”

Ninguém foi permitido a condenar os cristãos pelo que eles bebiam (leis alimentares); festas religiosas e o sétimo dia, o Sábado não lhes era imposto (Colossenses 2:16).

O Novo Testamento separa o primeiro dia da semana, o dia da ressurreição de Jesus, como o Dia do Senhor (Lucas 24:1; Atos 20:7; 1 Coríntios 16:1; Apocalipse 1:10). A igreja iniciou no Pentecostes, o qual sempre caiu num Domingo (Atos 2:1).
Assim, quando os cristãos dizem: “Não há autoridade para o Sábado, para um sacerdócio separado, ou para incenso, ou instrumentos mecânicos na adoração na igreja,” eles não estão rejeitando a inspiração, veracidade, ou instrução geral do Velho Testamento. Em vez disso, estão reconhecendo uma mudança em assuntos específicos de fé e prática que são parte de uma nova administração.

Eles pregam e aprendem do Velho Testamento, mas ele não lhes serve de lei.


Exercício:









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